Hemorróidas sem tabu: entrevista no Porto Canal
Entrevista no Porto Canal sobre doença hemorroidária, sintomas de alerta, fatores de risco e opções de tratamento médico e cirúrgico.
Uma conversa para quebrar o tabu
A doença hemorroidária continua a ser um tema que muitas pessoas evitam abordar por vergonha ou constrangimento. Nesta entrevista ao Porto Canal, a Dra. Ana Azevedo explica, de forma simples, o que são as hemorróidas e quando podem transformar-se numa doença que precisa de avaliação.
As hemorróidas correspondem a estruturas vasculares que existem na parte final do canal anal. Podem tornar-se sintomáticas quando sofrem dilatação, alteração anatómica ou prolapso, provocando desconforto e impacto na higiene e na qualidade de vida.
Falar cedo sobre estes sintomas ajuda a reduzir mitos e a evitar que situações simples evoluam durante anos sem orientação adequada.
Sintomas que devem motivar observação
Entre os sintomas mais relevantes estão o sangramento, a sensação de prolapso, o prurido, o mal-estar local e a dor. A saída de tecido pelo canal anal pode ser particularmente desconfortável e deve ser avaliada em consulta.
A presença de sangue nas fezes ou no papel higiénico não deve ser automaticamente atribuída a hemorróidas. A observação médica permite confirmar o diagnóstico e excluir outras causas de sangramento retal.
Mesmo sintomas aparentemente pequenos, quando interferem com a higiene diária, o conforto ou a confiança do doente, justificam aconselhamento especializado.
Fatores de risco e hábitos do dia a dia
A gravidez e o pós-parto são fases particularmente vulneráveis para a mulher. Muitas doentes referem que os primeiros sintomas surgiram nesse período, mesmo que a doença só volte a causar maior incómodo anos mais tarde.
O sedentarismo, a obesidade, a baixa ingestão de água, a alimentação pobre em fibra e a obstipação também contribuem para o agravamento da doença hemorroidária.
Outro ponto sublinhado na entrevista é o tempo passado na casa de banho. A insistência e o esforço durante a defecação favorecem a evolução dos sintomas, pelo que corrigir estes hábitos faz parte do tratamento.
Tratamento ajustado a cada caso
Nem todos os doentes precisam de cirurgia. Em fases iniciais, o tratamento pode passar por medidas alimentares, hidratação, controlo da obstipação e medicação adequada, como pomadas ou comprimidos.
Quando a doença é mais avançada, existem opções instrumentais e cirúrgicas que devem ser escolhidas de acordo com o grau da doença, os sintomas e a anatomia de cada doente.
A evolução técnica permite hoje tratar alguns casos com instrumentos de energia e sem necessidade de suturas, reduzindo a dor pós-operatória em comparação com técnicas antigas.
Recuperação e mitos sobre a cirurgia
Um dos mitos abordados é a ideia de que todo o tratamento cirúrgico das hemorróidas implica dor intensa e incapacidade prolongada. A Dra. Ana Azevedo distingue dor de desconforto ou constrangimento, explicando que a técnica certa, a analgesia adequada e o controlo da obstipação são fundamentais para uma recuperação mais tolerável.
Procurar ajuda cedo aumenta a probabilidade de resolver a doença com tratamentos mais simples e evita decisões tardias em situações com muitos anos de evolução.

