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Ana Azevedo

Dra. Ana Azevedo

Cirurgiã colorretal e proctológica com mais de 20 anos de experiência em cirurgia laparoscópica avançada e minimamente invasiva.

Artigo para Doentes

Divertículos do cólon: diverticulose, diverticulite e tratamento

Dra. Ana Azevedo2026
Divertículos do cólon: diverticulose, diverticulite e tratamento

Artigo de divulgação sobre divertículos do cólon, formas de apresentação e opções de tratamento.

O que são divertículos

Os divertículos são pequenas bolsas que se desenvolvem em zonas de fraqueza da parede do intestino grosso. Podem não causar qualquer sintoma ou, quando se tornam sintomáticos, corresponder a formas de doença com gravidade variável.

A presença de divertículos chama-se diverticulose. Muitas vezes é descoberta de forma incidental durante uma colonoscopia de rastreio do cancro do intestino.

A diverticulose aumenta com a idade: é menos frequente abaixo dos 40 anos e pode atingir uma proporção significativa das pessoas por volta dos 60 anos.

Diverticulose e doença diverticular sintomática

Na diverticulose, a maioria dos doentes não apresenta sintomas e não necessita de tratamento específico.

A doença diverticular não complicada sintomática ocorre quando existem sintomas crónicos, como dor abdominal, alterações do trânsito intestinal, diarreia, obstipação ou sangramento intestinal.

Estes sintomas podem surgir em pessoas com episódios inflamatórios repetidos e de pequena intensidade ao nível dos divertículos.

Factores de risco e prevenção

Os factores associados à presença de divertículos incluem a idade, o sexo masculino, o tabagismo e a obesidade.

Apenas uma minoria das pessoas com divertículos desenvolve diverticulite. O risco de diverticulite aguda relaciona-se com sedentarismo, obesidade, tabagismo e alguns padrões alimentares.

A actividade física regular, hábitos saudáveis, hidratação adequada e uma alimentação equilibrada podem ajudar a reduzir o risco de episódios inflamatórios.

A ideia de que nozes, milho, pipocas ou pequenas sementes causam diverticulite por ficarem presos nos divertículos não corresponde ao entendimento actual. Hoje considera-se mais relevante o papel da microbiota intestinal e dos factores de estilo de vida.

Quando há inflamação

A diverticulite é a inflamação de um ou vários divertículos. Pode apresentar-se como um quadro ligeiro ou evoluir para formas complicadas, com abcesso, perfuração ou peritonite.

A incidência de diverticulite tem aumentado em adultos mais jovens, especialmente entre os 18 e os 44 anos.

O diagnóstico correcto é importante para definir a gravidade do episódio e pode exigir avaliação clínica e TAC abdominal.

Tratamento

A diverticulose sem sintomas não exige tratamento específico. Na maioria dos casos são suficientes aconselhamento nutricional, hidratação adequada, actividade física e abstenção tabágica.

Na doença diverticular sintomática não complicada, deve evitar-se o uso desnecessário de antibióticos. Também devem ser evitados anti-inflamatórios e opioides sempre que possível, por poderem aumentar riscos em determinados contextos.

A diverticulite aguda pode ser tratada em casa em muitos casos, com medicação oral e vigilância, depois de diagnóstico adequado. Noutros casos pode ser necessário internamento, antibióticos endovenosos ou drenagem de abcessos.

Alguns doentes com doença sintomática persistente ou impacto importante na qualidade de vida podem beneficiar de cirurgia programada, habitualmente com remoção do segmento doente do cólon e união imediata do intestino.

Quando é necessária cirurgia urgente

Nas situações de peritonite ou infecção generalizada, pode ser necessária cirurgia urgente para remover a parte do intestino grosso doente e perfurada.

Nesses contextos pode ser necessária uma colostomia provisória. Com apoio médico e de enfermagem adequado, esse período é compatível com manutenção da vida social e profissional.

A reversão da colostomia provisória pode ser realizada a partir de alguns meses após a cirurgia de urgência e, em casos seleccionados, por via laparoscópica, permitindo uma recuperação mais favorável.

Ver fonte: Sociedade Portuguesa de Coloproctologia

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